Leitura Rápida: A chuva e os jornais baianos
As fotos das capas do Tribuna da Bahia, A Tarde e Correio da Bahia da última sexta-feira (9), mostram que o foco da mídia com as fortes chuvas que cairam sobre Salvador mudou. A preocupação agora é mostrar alagamentos, enchentes e o caos no trânsito ocasionados pela chuva, principalmente em bairros nobres, como Pituba e Itaigara. Deslizamentos de terra, encostas, casas desmoronadas e mortes, ficaram para segundo plano, mesmo sendo o maior número de solicitações junto à Defesa Civil de Salvador, cerca de 156, só na quinta e sexta-feira de madrugada.
Vou fazer como meu amigo Yuri Almeida e me lembrar das aulas de Análise do Discuro ministradas pelo professor Giovandro Ferreira, em que tratamos sobre o contrato de leitura, que envolve os meios, seus públicos e se expande à relação com os anunciantes.
Pois bem, a mídia baiana é elitista e destinada a classe média, que agora sofre com os alagamentos e enchentes no seus bairros de luxo. Por conta disso agora mostra os problemas da chuva, que até então não atingiam seu público. Outro ponto é mostrar que as “autoridades” precisam tomar soluções, visto que “nós” já estamos sofrendo com as chuvas. Já o problema com as encostas não é “nosso”.
Enquanto as casas do Caminho das Árvores não desmoronam e a lama não toma conta da Graça, acredito estes pontos de pauta sobre chuva em Salvador acredito que fiquem em segundo plano, como ficaram desta vez.
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Caro,
O foco nos desabamentos era conseqüência de mortes que aconteciam a cada chuva. Com as obras nas encostas realizadas há uns dez anos, faz tempo que não acontece deslizamento de encostas em Salvador e desabamentos com vítimas.
Como ignorar o caos que a cidade viveu, praticamente paralisada durante uma manhã inteira? Carros boiando, ruas alagadas com água a um metro de altura?
Talvez a novidade seja o canal aberto pelo jornal para o relato pela internet, que chegaram aos centenas ao jornal A Tarde e que pautaram o jornal e deram a dimensão do interesse dos seus leitores pelo assunto.
E nas mensagens você pode notar também o entendimento de que os transtornos são provocados pela ausência de uma manutenção mínima nas redes de escoamento, consequência de uma prefeitura ausente, comandada por um perfeito idiota bem sabido, que gasta uma baba martelando o dia inteiro: pode acreditar…
Claro, tem o aumento absurdo do número de carros nas ruas e também a falta de educação básica dos que jogam lixo na rua.
Não podemos ignorar o factual, é claro. Não é isso que disse no post, no entanto a preocupação com as encostas ainda existe e não é mais o foco dos jornais, mesmo a população tendo registrado 156 casos nas últimas chuvas.