Os donos da mídia

9.471. Este é o número de veículos de comunicação existentes no Brasil, segundo o mais novo site de observação de mídia do país, o www.donosdamidia.com.br. O interessante é a distribuição deste número. No país existem 2408 rádios comunitárias e 2051 rádios FM, contra 1259 revistas e 1010 jornais, o que mostra a força do rádio em tempos de internet. O site também traz uma lista de todos estes veículos.
Outro ponto interessante observado pelo site é o poderio das grandes redes de comunicação, a exemplo da Vênus Platinada, detentora de nada menos que 340 veículos, de acordo com o site. A Globo é seguida pelo SBT (205), Band (172), Record (162) e pela Empresa Brasileira de Comunicação, a EBC, com 95 veículos.
Mídia e Política – O site, que promete ser o maior observatório de mídia do país, fez um levantamento completo de quantos políticos são sócios ou diretores de empresas de radiodifusão (tv e rádio). O projeto mostrou que 271 políticos atuam diretamente neste mercado, sendo que o DEM, com 58 políticos (21.4%) é quem possui a maior fatia do bolo.O PMDB (17.71%) e o PSDB (15.87%) seguem o DEM na lista dos partidos que possuem o maior número de políticos no ramo comunicativo. O PT aparece com 10 políticos, representando 3.69% do total. A Bahia, terra natal deste blog, aparece na terceira colocação entre os estados. São 24 políticos, a maioria do Democratas.

A mídia e a construção do herói no esporte

Formiga, Alan do Carmo e Ana Marcela. O que eles têm de comum? São baianos. O que têm de diferente? Além da modalidade esportiva, o momento em que a mídia os colocou como heróis.
A forma como a informação esportiva é passada para o público se afasta e muito da “notícia tradicional” dos jornais. Isso podemos remeter ao post anterior sobre o “infoteinment”, mas também a um processo comum e bem antigo: a construção dos heróis brasileiros.
A emoção emplacada nas matérias, as curiosidades da vida íntima, o carinho e a força da família nos dão a intimidade necessária para nos sentirmos amigos dos atletas. O otimismo intrínseco do brasileiro finaliza a construção do mito, ou do herói. Assim foi com Alan do Carmo e Ana Marcela, dias antes do embarque para os jogos olímpicos de Pequim. A forma como a imprensa baiana cobriu a ida dos baianos para a China nos deu a impressão de que a medalha, na maratona aquática era certa. As medalhas não vieram e a decepção foi maior do que esperada. Imcopetência dos atletas? Não, culpa da mídia.
Ao contrário do que aconteceu com os baianos da água, com formiga a situação foi diferente. A meia-atacante da seleção feminina de futebol se tornou alvo da fábrica de heróis após marcar o gol que iniciou a reação da seleção canarinho contra a Alemanha. Visitas à casa de sua mãe foram vistas em todas as emissoras locais e formiga, que não teve o estrelato pré-olímpico, trouxe um medalha prateada com gotas douradas de suor. Culpa da mídia? Não sei…

E por falar em CQC…

Estou com a revista imprensa do mês de agosto nas mãos. A edição sucedeu a que trouxe o Marcelo Tas e sua equipe do Custe o Que Custar e levantou a polêmica sobre a proibição da entrada do programa no Congresso Nacional. Na seção cartas do leito de agosto, as opiniões se dividem. Um diz que o CQC faz um humor inteligente, como há tempos não vimos e que o Congresso é um equipamento público ao qual todos devem ter acesso. Outro dize que o CQC é debochado e arrisca dizer que o programa não é jornalístico.

Aí chegamos a um ponto interessante. O que nos permite dizer que um determinado programa é jornalístico ou não? A presença do humor no programa não o caracteriza apenas como programa humorístico. O programa traz informações importantes e aliado ao tom humorístico temos uma vertente televisiva que muitos chamam de “Infotainment”, um mix entre informação e entretenimento.

O mesmo é feito nos noticiários esportivos desde o início do jornalismo esportivo e nunca foi contestado. Hoje, as matérias de Tadeu Schmidt acentuam o toque de humor e também não questionam o que é piada e o que é informação. Agora, quando o infotainment é levado para a política, a coisa fica séria…

CQC – Entrevista Marcelo Tas

Publicada originalmente no Observatório da Imprensa

ENTREVISTA / MARCELO TAS

“Vamos continuar incomodando os caras”

Renata Camargo

Acostumado a fazer perguntas indiscretas a políticos desde que interpretou, ainda nos anos 80, o repórter Ernesto Varela, o jornalista, ator e roteirista Marcelo Tas é o comandante de uma bancada que tem irritado os parlamentares com abordagens desconcertantes. Varela ganhou destaque como o repórter de mentira que fazia perguntas inesperadas a anônimos e personalidades de verdade, inclusive políticas, no momento em que o país deixava para trás a ditadura militar (confira aqui).

De São Paulo, onde o programa Custe o que Custar (CQC) é gravado, Tas avisa a congressistas e demais autoridades que sua equipe vai continuar explorando, com humor e deboche, o farto “cardápio de pilantragem” dos políticos brasileiros. Tudo por uma nobre causa: devolver às pessoas o interesse pela política.

“Nós somos essas moscas que vão ficar incomodando os caras. Mas a gente vai falar para o cidadão: `você é um cara importante, você também tem que encher o saco deles´”, afirma, nesta entrevista exclusiva ao Congresso em Foco.

Para ele, não existe arma melhor do que o riso para restabelecer esse canal, muitas vezes interrompido por sucessivos escândalos. “O humor é uma forma de compreensão. Quando você ri, quer dizer que você entendeu o que se passou. Acredito que o CQC tem trazido para a política pessoas que estavam desinteressadas pelo tema”, considera. “É isso que espero que os políticos entendam. Somos um canal para eles se comunicarem com um público que já tinha perdido as esperanças”, acrescenta.

Diretor, apresentador e roteirista de TV, Marcelo Tas participou da criação de programas como Rá-Tim-Bum, Castelo Rá-Tim-Bum e Vitrine, na TV Cultura de São Paulo. Também fez rádio e assinou colunas nos principais jornais paulistas. Autor de um blog que leva seu nome, Tas acredita que a política não mudou desde que ele deu seus primeiros passos no Congresso, mas que a participação popular ganhou com o avanço das tecnologias.

“Hoje não dá para enganar os eleitores por muito tempo, especialmente por causa da internet. Quem tiver o que esconder vai ter que acionar os seus advogados. A internet faz as coisas emergirem”, avalia. A seguir, sua entrevista.

***

Qual o objetivo do novo quadro “Assessor de Imagem”, que estreou na segunda-feira (25) no CQC?

Marcelo Tas – A gente quer mostrar que, muitas vezes, a pessoa se sujeita a mudar a maneira de ser e de se comportar só para sair bem na foto. E não são só os políticos que fazem isso. No quadro, a gente entrevistou artistas, jogadores de futebol e celebridades. É para mostrar que tem gente que gosta de dar uma “photoshopada”, que nem as mulheres fazem com a celulite quando vão posar na Playboy. E mesmo que tenham de usar alguma coisa em que não acreditam ou que não faz parte deles – alguma frase, algum comportamento –, eles topam falar e fazer. A gente quer desmascarar isso.

Mas por que o quadro começou com políticos? Tem uma razão “didática”?

M.T. – Sim. A gente quer mostrar para o eleitor, para o cidadão, que nem tudo o que se vê na TV é espontâneo. O CQC quer mostrar que é bom você ficar atento, ainda mais em época de eleição. Mostrar que muita coisa, muito coisa mesmo, pode ser maquiada pelo consultor de imagem. E, às vezes, de forma absurda. O Warley [Santana] diz que é consultor, que teve treinamento com Karl Fisher, que é consultor de Barack Obama. Um nome absurdo. Karl Fisher é Carlinhos Pescador. Ele fisga esses peixes desatentos.

A escolha de dar início ao programa em ano eleitoral então foi proposital?

M.T. – Na verdade, eu já queria fazer isso há muito tempo. O programa CQC tem matriz na Argentina e alguns de nossos quadros já existiam na versão original. Agora, rico em profundidade e com a largura no cardápio de pilantragem dos políticos, isso só é possível aqui no Brasil. Aí, junto com a produção argentina, criamos o programa. Era o momento de fazer o CQC no Brasil. É muito oportuno. A gente é muito didático e os espectadores têm sido muito receptivos.

Como foi feita a escolha dos entrevistados do quadro?

M.T. – Pegamos pessoas diferentes, de diferentes partidos. É uma coisa feita sem nenhuma referência partidária. Entramos em contato com vários parlamentares, e foram acontecendo as gravações. Como eleição é um período muito delicado, pegamos políticos que não são candidatos. A gente só quer mostrar que muitos de nós, inclusive da TV, não abre mão de técnicas para melhorar a imagem diante do público, mesmo que não seja verdade. Quem tem medo ou tem a imagem muito maior do que é vai passar mal.

E quem são as próximas “vítimas”?

M.T. – (Risos) Eu não posso dizer, né?

Mas o deputado José Genoino (PT-SP) está na lista?

M.T. – Sim. O Genoino e o vereador [Carlos] Apolinário [PDT-SP] já deram declarações públicas esperneando sobre isso. É que nem criança na hora que tem que tomar injeção.

Esse tipo de “pegadinha” pode dar processo na Justiça. Como vocês lidam com isso?

M.T. – Estamos absolutamente tranqüilos. Os quadros foram todos aprovados pela Band e passaram pelo jurídico da emissora. Na verdade, vamos ficar muito felizes se ele [Sandro Mabel] nos processar. Isso vai mostrar que ele tem culpa no cartório. Isso vai confirmar tudo aquilo que o quadro pretende mostrar, que a pessoa continua tentando mostrar um personagem. O único problema é que, talvez, seja o público que vai pagar esse processo.

Você cobre política com humor desde a década de 80. Já passou por vários governos, entrevistou as mais diversas personalidades da política brasileira. O “cardápio de pilantragem dos políticos”, como você disse há pouco, está hoje mais farto do que antes?

M.T. – Eu não acho que o momento que a gente vive agora é diferente de outros. Eu cubro o Congresso desde 1983 e não acho que hoje seja diferente. O que está diferente é a sociedade, que vem se aperfeiçoando. Hoje há um maior controle, protestos, demonstrações de indignação. Os políticos, em si, continuam muito parecidos. Eu não gostaria de eleger que o governo Lula foi mais corrupto.

E qual o principal problema do político brasileiro?

M.T. – Apostar na ignorância do cidadão. O [senador José] Sarney deu uma entrevista esses dias dizendo que não sabia que havia tortura na época da ditadura. Por favor, como ele não sabia?! Ele participou da ditadura e foi quem distribuiu concessões de canais de rádio e TV para os coronéis do Nordeste. Eu, atualmente, aposto na inteligência do CQC e do público. Figuras como o Sarney serão ejetadas da política. São figuras execráveis, posam como intelectuais e imortais e pensam que somos idiotas. Eu sei que eu pego no pé do Sarney e que têm vários outros. Mas o Sarney simboliza um tipo de pensamento antigo que está sendo varrido do mapa, especialmente por causa da internet.

Qual o papel da internet nisso?

M.T. – Acontece no momento uma grande mudança. A gente não depende mais do rádio ou da TV para se informar. A gente tem a internet, que é uma comunicação muito mais livre. O CQC representa essa mudança. A audiência do programa na internet é tão grande quanto na TV. Esse é um momento inédito. Na TV temos atingido de seis a oito pontos nos índices de audiência. Na internet, temos uma parceria com o site Youtube, que tem vídeos com milhares de acessos. A internet faz as coisas emergirem. As informações ficam cada vez mais visíveis.

Você fala em novo momento, em fase de mudança, mas o que isso vai mudar na política?

M.T. – Esse aperfeiçoamento beneficia os bons políticos. No Brasil, a gente vê a palavra político quase como um adjetivo, o que é errado. Há bons políticos. Há uma mudança na direção de mais transparência. Inclusive, se você me perguntar uma palavra que define o quadro Assessor de Imagem, eu respondo que é transparência. Hoje não dá para enganar os eleitores por muito tempo, especialmente por causa da internet. Quem tiver o que esconder vai ter que acionar os seus advogados.

Qual o papel do eleitor nessa mudança?

M.T. – Há uma extrema distância do eleitor para a atuação do candidato que ele elegeu. O eleitor vota e, pouco depois, não tem a menor noção em quem votou. O importante é que você cobre do candidato que votou. Isso a gente vai estimular muito no programa. Nós somos essas moscas que vão ficar incomodando os caras. Mas a gente vai falar para o cidadão: ‘você é um cara importante, você também tem que encher o saco deles’. Voltamos o nosso canhão também para o cidadão com o quadro Teste de Honestidade. A idéia não é só falar mal de político.

E o humor é uma maneira eficiente de aproximar os que não gostam de política da política?

M.T. – O humor é uma forma de compreensão. Quando você ri, quer dizer que você entendeu o que se passou. Acredito que o CQC tem trazido para a política pessoas que estavam desinteressadas pelo tema. E é isso que espero que os políticos entendam. Somos um canal para eles se comunicarem com um público que já tinha perdido as esperanças.

I Fórum de Mídia Livre

Estão abertas as inscrições para o I Fórum de Mídia Livre, que ocorrerá no Rio de Janeiro, dias 14 e 15 de junho, e reunirá participantes de todo o País. O evento é parte de uma ampla mobilização de jornalistas, acadêmicos, estudantes e ativistas e demais interessados pela democratização da comunicação, em defesa da diversidade informativa, do trabalho de colaboração nos novos meios e sua expansão, bem como da garantia de amplo direito à comunicação.

A mobilização começou em uma reunião em São Paulo envolvendo 42 jornalistas, estudantes, professores ou pessoas atuantes na área das comunicações, de diferentes regiões do Brasil, e teve prosseguimento em reunião em Porto Alegre, com a presença de 49 pessoas, e na ABI, no Rio de Janeiro, com 32 presentes. A partir destes encontros já foram realizadas reuniões em Belém, Fortaleza, Recife e Aracaju. Clique aqui para saber quais são os ativistas e entidades que participam desta iniciativa, conforme os relatos dos pré-encontros.

Entre as principais questões levantadas, os presentes discutiram o avanço do movimento de comunicação da mídia livre em todo o País, de maneira que seja obtida a garantia junto ao poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, a regulação da distribuição das verbas publicitárias públicas em nosso País e o avanço das microestruturas globais mediáticas, assimétricas, improvisadas, parcialmente caóticas e autônomas, como as redes digitais, as migrações, os coletivos e as ocupações urbanas, bem como de agregadores da diversidade da mídia e dos que a fazem.

Estão confirmados para a mesa de abertura Emir Sader (UERJ); Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Rede Universidade Nômade); Paulo Salvador (veículos impressos); Lúcia Kluck Stumpf (presidenta da UNE, pelo movimento social); Bernardo Kucinsky (Jornalismo alternativo e independente); Joaquim Palhares (veículos de internet); e um representante do Intervozes (movimento social das comunicações). Clique aqui para conhecer os demais confirmados.

O setor de comunicação, segundo o manifesto em construção disponível no site do Fórum de Mídia Livre, “não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo”. E continua: “A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos (…)”.

A mídia e os comunicadores em debate

No Rio de Janeiro está sendo levantada e discutida com intensidade a questão de uma economia psíquica da comunicação que dê conta dos agenciamentos internos, psíquicos (pensamentos, perceptos e afetos), dos jornalistas e dos comunicadores, de maneira a que ajam como comunicadores-cidadãos, portanto de maneira inovadora, de fato livre -sem repetir valores que contestam a nível macro-político- e assim produzam ambientes agregadores (diferentes-juntos) na diversidade da mídia tradicional, da mídia contra-hegemônica e da cultura digital.

Outra questão importante é a da mídia contra-hegemônica e a potencialização da difusão mundial das formas de sentir, pensar e agir dos segmentos economicamente excluídos, das comunidades culturalmente marginalizadas ou dos grupos politicamente segregados. O Fórum também se propõe a debater novas perspectivas de comunicação, mais plurais e democráticas. Assim, temas como Creative Commons, Web 2.0 e novas mídias também ganharão destaque nos debates e atividades do evento.

Segundo o documento esboçado na reunião de São Paulo, o objetivo da democratização das verbas públicas visa que “as verbas de publicidade e propaganda sejam distribuídas levando em consideração toda a ampla gama de veículos de informação e a diversidade de sua natureza; que os critérios de distribuição sejam mais amplos, públicos e justos, para além da lógica do mercado; e que ao mesmo tempo o poder público garanta espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, nas suas sinopses e meios semelhantes”. O documento está disponível no site do evento (http://forumdemidialivre.blogspot.com/).

De forma sincrônica ao evento no Rio de Janeiro, o movimento social de comunicação já está se mobilizando em sete cidades: Porto Alegre, São Paulo, Belém, Fortaleza, Recife, Aracaju e no próprio Rio de Janeiro. Todos os relatos já estão disponíveis no site. O próprio evento é um importante passo na discussão e deliberação sobre os rumos do movimento social de comunicação.

Programação – O I Fórum de Mídia Livre acontecerá dias 14 e 15 de junho de 2008 (sábado e domingo), das 9h às 17h (com pausas entre os debates e grupos de trabalho). Será realizado no campus da UFRJ da Praia Vermelha, no Auditório Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e salas anexas. Endereço: Avenida Pasteur, 250 – Praia Vermelha. O Auditório Pedro Calmon fica no segundo andar do FCC.

Estão confirmados para a mesa de abertura Emir Sader (UERJ); Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Rede Universidade Nômade); Paulo Salvador (veículos impressos); Lucia Stump (presidenta da UNE, pelo movimento social); Bernardo Kucinsky (Jornalismo alternativo e independente); Joaquim Palhares (veículos de internet); e um representante do Intervozes (movimento social das comunicações). Clique aqui para conhecer os demais confirmados.

Inscrições – A participação no I Fórum de Mídia Livre é aberta e a inscrição é obrigatória. Os participantes podem também se informar sobre os pré-encontros em suas respectivas cidades. O custo individual da inscrição é de R$15 (quinze reais) para o público em geral e R$5 (cinco reais) para estudantes, pagos no dia do evento, junto à secretaria executiva do evento. A secretaria executiva emitirá um certificado de participação para os que compareceram nos dois dias de evento.

A inscrição no I Fórum de Mídia Livre não garante, o transporte, estadia e alimentação dos inscritos, que no entanto estão sendo negociados.

Oficinas – O Fórum de Mídia Livre convida todos e todas, participantes, entidades e ativistas, a inscreverem suas propostas de oficinas que tenham por objetivo contribuir com o aprofundamento dos debates, exposição de novos pontos de vista e produção colaborativa. Todas serão avaliadas e terão a sua realização confirmada pela Comissão Organizadora do Fórum, que receberá propostas por email até o dia 06 de junho (sexta-feira). Clique aqui para inscrever sua oficina!

Inscreva-se já e participe dos debates: http://forumdemidialivre.blogspot.com/

4º Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística

Estão abertas, até o dia 13 de junho, as inscrições para o 4º Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística, que este ano traz o tema “Imprensa e sociedade aliadas no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes”. Podem participar do concuros, repórteres, editores, chefes de reportagem, alunos e professores de jornalismo, além de profissionais que atuem em mídias alternativas e on line (blogs, coletivos etc).

Neste concurso, os candidatos podem concorrer com sugestões de pauta sobre o tema e os escolhidos recebem uma verba para realizar as matérias. Para participar é preciso fazer a inscrição no site do concurso e apresentar a sugestão de pauta, detalhada e com justificativa e roteiro de produção da reportagem, incluindo fontes e gastos com a elaboração.

O mais interessante do concurso é a preocupação em estimular jornalistas, editores e todos envolvidos no modus operandi jornalístico a ter um olhar mais cuidadoso, não só quanto aos direitos da criança e do adolescente mas também aos Direitos Humanos como um todo. A mídia ainda se mantém defensora dos DH apenas no discurso, enquanto na prática, ainda existem as dúvidas sobre como agir sem ferir estes direitos.

Veja o quadro de premiações em cada categoria 

CATEGORIA

VALOR DA BOLSA DE INCENTIVO À PRODUÇÃO

Mídia Impressa

R$ 10.500,00

Rádio

R$ 10.500,00

TV

R$ 16.000,00

Mídia Alternativa

R$ 10.500,00

Especial: Tráfico de Crianças para Fins de Exploração Sexual

R$ 10.500,00 ou R$ 16.000,00*

 

 

Leitura Rápida: A chuva e os jornais baianos

As fotos das capas do Tribuna da Bahia, A Tarde e Correio da Bahia da última sexta-feira (9), mostram que o foco da mídia com as fortes chuvas que cairam sobre Salvador mudou. A preocupação agora é mostrar alagamentos, enchentes e o caos no trânsito ocasionados pela chuva, principalmente em bairros nobres, como Pituba e Itaigara. Deslizamentos de terra, encostas, casas desmoronadas e mortes, ficaram para segundo plano, mesmo sendo o maior número de solicitações junto à Defesa Civil de Salvador, cerca de 156, só na quinta e sexta-feira de madrugada.

Lúcio Távora - A TardeVou fazer como meu amigo Yuri Almeida e me lembrar das aulas de Análise do Discuro ministradas pelo professor Giovandro Ferreira, em que tratamos sobre o contrato de leitura, que envolve os meios, seus públicos e se expande à relação com os anunciantes.

Pois bem, a mídia baiana é elitista e destinada a classe média, que agora sofre com os alagamentos e enchentes no seus bairros de luxo. Por conta disso agora mostra os problemas da chuva, que até então não atingiam seu público. Outro ponto é mostrar que as “autoridades” precisam tomar soluções, visto que “nós” já estamos sofrendo com as chuvas. Já o problema com as encostas não é “nosso”.

Enquanto as casas do Caminho das Árvores não desmoronam e a lama não toma conta da Graça, acredito estes pontos de pauta sobre chuva em Salvador acredito que fiquem em segundo plano, como ficaram desta vez.